ESCOLHAS
28/01/2026
O homem, assim como todo ser biológico, sempre se viu diante de um dilema, com pouca ou quase nenhuma possibilidade de escolha: trabalhe=produza ou morra.
No princípio a escolha seria entre caçar-colher-pescar, fugir, lutar ou morrer de inanição como alimento de nossos predadores, depois era domesticar, semear, alimentar, colher, manipular, enfim trabalhar e muito.
Após o início da exploração dos mais fracos dentre nós por parte do mais forte, ou mais privilegiados, veio a implantação dos sistemas escravagistas, sob o qual vivemos até hoje, mas a escolha ainda é a mesma: trabalhe, produza, ou morra, só que agora sob pancada.
Como o existir, a que somos obrigados sem qualquer possibilidades de escolha, exige que façamos todo o necessário para sobreviver, aceitamos o mando e o açoite e ainda ficamos felizes quando substituem o coxo por um vale refeição, ou um PIX, nos dando inclusive a oportunidade de escolher entre feijão preto ou roxinho. Nos dão circo e a possibilidade de nos sentirmos pertencentes, ativos e criadores na redes e, suprema glória, nos dão uma pseudodemocracia para que possamos sentir-nos responsáveis, únicos, pelos nosso destino e pelos nossos sofrimentos...
Isso ocorre há milênios, desde que deixamos a vida comunitária.
O complicado, difícil mesmo, é compreender; afinal pensar a respeito não é nada fácil, exige esforço e provoca desgastes, além de produzir aqueles velhos sentimentos de incapacidade, extrema limitação e angústia, retornando então à angústia existencial e levando muitos àqueles comportamentos esdrúxulos.
Mas raramente gera revolta.
