APENAS UM DESABAFO
28/10/2021

Brasil e China têm algumas coisas em comum e algumas diferenças. Mas a China é única na história das nações, ou melhor, parece com quase todos os povos que de alguma forma foram dominados, de uma maneira ou de outra, por pouco tempo ou por séculos, mas conseguiu se reencontrar como nação soberana.
Invadida por vários outros povos, explorada de todas as formas, escravizado seu povo em todos os cantos do mundo, em diversas ocasiões através dos séculos, sempre lutou, se revoltou, obtendo sucesso ocasionalmente, dando a volta por cima muitas vezes, sempre trilhando seu caminho de trabalho e aprendizado.
O chinês é como uma formiga, trabalha incansavelmente e se reproduz na velocidade da luz. E aqui há uma grande diferença com o povo brasileiro: nós não somos muito de apreciar o trabalho.
Pois bem, há mais ou menos 60 anos a China alcançou, finalmente, sua independência e com toda sorte de dificuldades, com muita luta, com muito sofrimento, até com a violência utilizada para barrar uma contra revolução que a entregaria novamente à propriedade de outras nações, experimenta um grande crescimento econômico, graças ao investimento maciço em educação, pesquisa, tecnologia e industrialização. Isso permitiu a quase erradicação da fome, da escravidão e a tornou uma potência econômica que a transformou de dominada em dominante, e está fazendo com que seus cidadãos possam imaginar uma vida de conforto e tranquilidade.
Aqui em nosso torrão natal ocorreu alguma coisa semelhante. Sempre fomos dominados, desde que Cabral botou suas botas neste solo. Primeiro os Portugueses por três séculos, sem esquecer as pitadas de Franceses, Holandeses, Espanhóis e Ingleses. Depois, já sob a pseudo independência, ficamos sob domínio do Império Onde o Sol Nunca se Põe por mais um século e, finalmente, sob o domínio dos primos do Norte, que se tornaram Nossos Senhores já há um século. Mas também chegou para nós o momento de conseguirmos nossa verdadeira independência, com a pequena diferença de que aqui alcançamos esse patamar não com guerras ou revoluções, mas meio pacificamente, democraticamente, ou quase.
Em 2003 começa nossa emancipação. Um dos poucos líderes que conseguimos produzir em mais de meio milênio de história, com capacidade de discernir e governar com respeito absoluto à liberdade, à democracia, à justiça e à dignidade dos homens e das coisas, Luiz Inácio inicia o processo de resgate de nossa pátria tão vilipendiada e de nosso povo tão humilhado.
E o fez governando com o povo e para o povo - na verdade para todos, indiscriminadamente - com garra e altivez. Educação, alimentação, trabalho com salário melhorado, saúde, produção em todos os setores, economia sólida, aliados ao apoio ao desenvolvimento industrial e agrícola, pesquisa, tecnologia, defesa, autodeterminação. Uma nação soberana, justa democrática, que tomava seu lugar de honra entre os povos e as nações, de igual para igual, sem opressores e sem oprimidos, capaz de tomar posições e de promover seus interesses e os interesses de sua gente, sem prejuízos a outrem e sem se rebaixar perante qualquer outro país.
O sonho que começava a se tornar realidade não poderia mesmo ser tolerado por aqueles que sempre se julgaram nossos senhores. Na tacanha visão dos Reis do Capitalismo haveria o risco desse Brasil redivivo se transformar em uma nova China. "AO NOSSO LADO? EM NOSSO QUINTAL? Já não basta uma China para nos peitar, para superar nosso comércio, para não nos obedecer? Uma URSS já não foi suficiente para nos atrapalhar?"
Somos um país de vasta extensão territorial, com população numerosa, muito bem localizado no planeta, com clima e recursos naturais absolutamente otimizados e invejáveis. Ora, se nos tornássemos uma nova China, iríamos "tomar os empregos dos norte americanos, roubaríamos os investimentos do capital norte americano e, quem sabe, até dos europeus; teríamos produção própria com a consequente redução de importação de produtos e tecnologia norte americanos; até petróleo deixaríamos de importar e até, quem sabe, poderíamos exportar e, ainda mais, até terras raras e qualquer metal de alto valor tecnológicos poderíamos exportar". A reequipagem de nossas forças armadas, com transferência de tecnologia e sem comprar armas norte americanas, nos tornaria capazes de nos defender. Tudo isso associado à ciência e à tecnologia desenvolvidos aqui, poderia nos tornar uma nova potência mundial, não dependente de qualquer outra.
E então veio o BASTA! MANDA A IV FROTA!
E assim foi.
Golpe jurídico-parlamentar-midiático sob comando externo para destituir a Presidenta genuína e democraticamente eleita, a prisão d'Aquele Líder, do ex presidente, através de uma operação lavajato armada sob comando da CIA para nos destruir de todas as maneiras possíveis, para destruir qualquer sonho que ainda restasse em nós, em todos esses casos se utilizando dos "colaboradores" lavajistas, juízes, procuradores, parlamentares, militares, vice presidente aqui e presidentes ali, jornalistas e seus donos, empresas e empresários, uma corja que na verdade são apenas vis traidores, nojentos vendilhões da pátria, canalhas indecorosos, ocupando postos e cargos às custas de dólares e tecnologias de dominação das massas, desses incautos, que ao fim somos todos nós.
E o Grand Finale , assombroso, magnifico, verdadeiro Golpe de Mestre : nos colocaram sob um governo títere, capitaneado por um ser indescritível, tal sua ignorância, estultice, estupidez, cupidez, violência e indignidade, que risível, ridículo, grotesco alhures amedronta e aqui assusta.
E ainda satirizam os chineses, "Xing-Ling" (sic). Que nosso povo pudesse lutar um pouco, buscar um pouco mais, enxergar um pouco além de um palmo.
Apenas um desabafo para quem sabe mitigar, um pouco que seja, a imensa angústia que nos oprime, ou pelo menos a mim.
*os itálicos são acréscimos do revisor
