CONVERSAS
11/07/2023
Cada vez mais raro encontrar uma pessoa que esteja disposta a conversar, defender e explicar seus pontos de vista ou suas ações, a respeito de qualquer coisa ou assunto.
Parece que todos têm receio de se expor, de poder justificar a contento suas crenças, suas convicções ou suas ações e acredito que seja porque não têm mesmo fundamentos para qualquer justificação e, portanto, fogem do debate, mostram desinteresse ou até mesmo desprezo por opiniões divergentes.
Acontece também que as comunicações virtuais, as mensagens eletrônicas se tornaram incontestes e muito mais fácil de interagir, sem quaisquer obrigações, sem qualquer necessidade de justificar nada, mesmo porque não há com quem argumentar, a não ser com robôs e seus algoritmos e suas réplicas, caso hajam, não requerem tréplica.
Então se torna estranho para nossos contemporâneos que alguém esteja disposto a discutir um assunto qualquer. A troca de ideias se tornou algo estranho mesmo, assustador, apavorante, justamente pelo medo de se expor, de se estar errado, de ter que se mostrar como ser contemplado com uma existência real e de talvez ter que mudar, ou fingir que mudou, suas falas, seus pensares, seus agires, seu status de conforto.
A comunicação atual é estranha. É uma não comunicação, uma não troca, uma ausência pessoal. O que há é a transmissão unilateral, sem desvios e sem retornos. Não há mais espaço para opiniões, muito menos discórdia. Os que comandam estão sempre, absolutamente corretos; são os grandes líderes, os que sabem tudo, os que nos proporcionarão a suprema felicidade, justamente porque sabem tudo, inclusive sobre cada um de nós.
Não há mais a necessidade e nem sequer a mínima vontade de aprender.
