VELHINHOS
04/01/2023
De repente começo a admirar aqueles velhos que insistiam em dizer "mé reis" e "tostão", que não abriam mão do chapéu ou do véu, que ainda curtiam o bolero e o samba canção e ainda gostavam de bailes. Estou aprendendo a compreender que estavam certos os que diziam "no meu tempo..." e contavam histórias bobas sobre os tempos passados, que gostavam de sentar e papear com amigos, e às vezes com não amigos, pelo simples prazer de conversar, que nos ensinavam mostrando exemplos do passado.
Sim, me parece que estávamos certos ao continuar a ouvir Beatles e Rolling Stones, Milton, Chico, Caetano, Tom, Vinicius, Dolores, Gil, Jorge, Elis...; e ainda tínhamos a coragem de dizer que eram muito bons, mesmo porque tínhamos também a coragem de rir de nossas calças boca de sino, dos vestidos tubinho, dos bailinhos de garagem.
Tenho pensado que os velhinhos eram sim o esteio, a garantia de sobrevivência dessa raça humana, socializada e civilizada, a ponto de se autodestruir. Parece que hoje já não têm coragem de enfrentar a modernidade tecnológica, que não querem se submeter à vergonha de não saber usar um smartphone, de pagar com dinheiro ao invés do PIX, de exaltar seu tempo e suas memórias: ninguém mais quer ser velho, parece ser vergonhoso ser velho e ter memória.
E assim, perdida a sustentação de nossa raça, caminhamos para o fim.
